1 de março de 2017

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ESSAS ESCOLAS REALMENTE ENSINAM Por: Roberto Garinini

Já escrevi sobre isso há algum tempo atrás. 
Acho que foi em 1985. 
Uma crônica para o Estado de São Paulo . 
Escola de samba, aprendizagem e vontade. 

Fevereiro é o mês do grande espetáculo, 65 minutos para mostrar o que se fez em um ano de pesquisa, elaboração, coordenação, costura pintura, composição, letra, musica, dança harmonia, adereços, comissão de frente enfim; praticamente uma grande empresa de diretorias, supervisão, coordenação e etc., etc.

Uma escola de samba é praticamente igual a uma grande empresa não fosse o grande diferencial do comportamento dos colaboradores, no dia a dia.
Primeiro que na empresa o colaborador recebe para ir trabalhar e na escola de samba ele as vezes paga .

Segundo na empresa o formalismo é maior, pois todos têm carteira assinada pagam impostos e recolhem contribuições, já na escola de samba é tudo brilhantemente informal. O contrato é de boca, mas o empenho é formal, mais ou menos até que a morte os separe.

Por fim a vibração, que nem preciso apontar qual seria a maior.
O colaborador da escola de samba sem carteira assinada, sem horário e sem remuneração fixa trabalha com uma empolgação e uma paixão por resultados que deixaria qualquer presidente de multinacional com inveja até o ultimo fio de cabelo.

Inversamente ao trabalhador da empresa nosso sambista
quer o melhor resultado, não se conformando com um segundo lugar.
Todos da comunidade querem estar lá, brigando, no bom sentido, pelo estandarte de ouro.

Não existe "As Melhores Escola Para Se Trabalhar", o que para com as empresas até concurso já temos.
A ISO 9000 das escolas é natural subindo dos grupos 2, 1 para o especial, e retornando quando o padrão não tem conformidade.
Que banho de R.H. os diretores e presidentes das escolas de samba nos dão, desde a terceirização de mão de obra até com para com os ensaios gerais.

A empresa precisou de um boom da administração para que se terceirizassem tarefas, outro maior ainda quando se falou em inclusão social, coisa que a escola de samba já faz há anos.
Reciclar, aproveitar sucata e lixo rico, Joãozinho Trinta fez nos anos 80.

Somos retrógrados em relação ao samba, nossas técnicas gerenciais não ganhariam estandartes de ouro, pois costumamos não prestar atenção em coisas que saem do povo,
dá vontade popular.

Já dizia Ohara Sam um professor japonês que me beneficiou muito com sua sabedoria:
-“ A pessoa que mais sabe é a que faz, não a que manda"
Portanto quem deve saber mais é quem tem samba no pé

Roberto Garini
Consultor de Empresas
Matemático pelo IME-USP 
MBA em consultoria de produtividade pela 
Associação das Indústrias do Japão Central – Nagoya-Japão