20 de dezembro de 2016

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Faltam estatísticas Por: Roberto Garini

Todos os meses as empresas brasileiras fornecem aos órgãos públicos uma serie de dados que se bem tratados e organizados poderiam ajudar em muito o pequeno e médio empresário.
O pequeno e médio empresário não tem verba suficiente para pagar pesquisa ou comprar junto aos institutos seus estudos de mercado com dados já tratados e compilados. Tudo isso é muito caro e complicado de se obter.

Imaginem um encarte nos principais jornais do pais, todos os meses, oferecendo aos empresários dados sobre o consumo dos brasileiros.

Por exemplo, quanto aumentou ou diminuiu o consumo de vestuário no mês, e não precisa ser em moeda, pode ser tudo em percentual. Ao empresário interessaria saber se o mercado cresceu 10% ou diminuiu 5%. Os restaurantes, os supermercados, os salões de beleza, os bares e hotéis e muitas outras áreas da economia.

Parece a princípio uma bobagem, mas não é. Nosso empresário não tem dados ou estatísticas para balizar seu negocio, ele não sabe, por exemplo, se seu negocio cresceu 15% no ano é bom ou não. Explico meu raciocínio.

A área da economia de cosméticos, por exemplo, cresce em media 20% ao ano, há alguns anos no Brasil. Se um empresário tem uma loja no ramo de cosméticos ou mesmo uma secção em sua loja desta área e seu crescimento foi de 10% no ultimo ano então alguma coisa tem que ser feita.
Este empresário foi eficiente em crescer 10% mas não foi eficaz em deixar de crescer os outros 10% em relação ao seu nicho de mercado.

Um exemplo muito contado para se mostrar a diferença entre eficiente e eficaz é quando se conta que o eficiente apaga um incêndio e o eficaz não deixa pegar fogo.

Hoje em dia a sobrevivência de uma empresa depende muito da eficácia do empreendedor e não de sua eficiência, pois chegamos a um ponto onde praticamente todos somos eficientes.

Esta eficácia, não depende de conhecimento do negocio, mas sim do conhecimento
do mercado e ai precisamos da ajuda do poder publico e das entidades de classe.

Penso que tanto as Federações da Indústria, do Comercio e o próprio Ministério da Indústria e Comercio poderiam em conjunto lançar este caderno mensal, com todos os dados econômicos das maiores áreas do mercado brasileiro.

Qualquer publicação mostra todos os dias as agendas fiscais, previdenciárias etc., etc., mas infelizmente não se sabe se o consumo de refeições fora de casa aumentou ou não.

Nos países desenvolvidos estas estatísticas são esperadas como se espera a tabela de um campeonato de futebol, pois daí depende as correções de rumo do pequeno e médio empresário.

Tenho um amigo brasileiro que possui uma loja em um shopping na cidade de Dallas, USA e a ultima vez que estive com ele me mostrou um livro editado pelo governo americano dos dados comparativos de mercado com estatísticas de receitas e despesas ramo a ramo da economia. Isto significa que ele sabia ate se tinha pago mais imposto que seu ramo de atividade pagou. Com essa informação descobrir o porquê pagou amais e onde poderia economizar, e isso se repetia com as rubricas pessoal, propaganda, vendas e estoques.


Livro muito parecido vi no Japão, ate tenho um que me foi presenteado por um professor. O livro mostra a media de todos os dados de cada rubrica dos balanços das empresas em todos os ramos de negócios existentes no Japão e ainda divide em Grandes Empresas e Pequenas e Medias.
Claro que não estou pedindo tanta eficácia, mas pediria que os órgãos públicos brasileiros tivessem um pouco mais de eficiência.


Roberto Garini

Consultor de Empresas
Matemático pelo IME-USP 
MBA em consultoria de produtividade pela 
Associação das Indústrias do Japão Central – Nagoya-Japão